Em disputa judicial, Emicida acusa o irmão Evandro Fióti de retirar R$ 6 milhões de empresa; entenda | Negócios
A relação profissional entre os irmãos Leandro Roque de Oliveira, o rapper Emicida, e Evandro Fióti, empresário e músico, chegou à Justiça. O embate familiar — que envolve questões empresariais e financeiras — foi formalizado por meio de um processo que tramita na 37ª Vara Cível de São Paulo e ao qual o GLOBO teve acesso. Emicida alega que Fióti transferiu, sem autorização, R$ 6 milhões da empresa Lab Fantasma, fundada por ambos em 2010. No lado oposto, Fióti reivindica a sua participação nos lucros e contesta a maneira como os negócios vinham sendo geridos.
Emicida e Fióti cultivavam uma frutífera parceria profissional há mais ou menos 15 anos. Os dois idealizaram e criaram a Lab Fantasma, composta por outras quatro empresas atuantes no ramo do entretenimento, com atividades como a comercialização de roupas e livros e a administração da carreira de Emicida e outros artistas, tais como Rael e Drik Barbosa. Até 2024, os irmãos eram sócios em igualdade de participação. Do último ano pra cá, no entanto, devido a “questões estratégicas e necessidades empresariais”, como detalha um dos arquivos do processo, Fióti ficou com 10% das quotas enquanto Emicida passou a deter 90% da sociedade.
Segundo os autos, Fióti alega ter sido prejudicado financeiramente e que sua retirada da administração da empresa ocorreu de forma indevida. Ele pede uma revisão dos contratos internos e questiona movimentações financeiras realizadas sem o seu consentimento.
A ação judicial inclui pedidos de prestação de contas detalhada, compensações financeiras e uma possível dissolução da sociedade entre os irmãos. Os advogados de Fióti argumentam que ele foi gradativamente afastado das decisões estratégicas, enquanto a defesa de Emicida nega irregularidades e sustenta que a gestão da empresa sempre ocorreu de forma transparente e alinhada com os interesses de ambos os lados.
Emicida cita desvio de dinheiro
No processo, Emicida ressalta que “foi surpreendido”, em janeiro de 2025, com a transferência de R$ 1 milhão da empresa em favor do irmão, “sem que houvesse qualquer autorização (…) neste sentido, e sem qualquer razão jurídica”. A circunstância o levou a cassar as procurações anteriormente concedidas a Fióti. De acordo com Emicida, um novo saque no mesmíssimo valor foi realizado pelo irmão em fevereiro de 2025, também “sem a expressa autorização”, como frisa ele.
Depois de estranhar o saque de R$ 2 milhões, Emicida solicitou uma investigação sobre contas anteriores da sociedade. O cantor detectou, então, mais R$ 4 milhões em saque — um total de R$ 6 milhões —, o que fez com que Emicida requeresse o bloqueio do acesso de Fióti às contas da empresa. As transferências feitas por Fióti foram tidas por Emicida como “graves e reveladores de uma quebra de confiança”, como consta nos autos. O rapper considera, no mesmo documento, que o irmão Fióti reclamava do salário mensal de R$ 40 mil.
Fióti fala em adiantamento de lucro
Representantes legais de Fióti rebatem as acusações dos advogados de Emicida sobre os supostos desvios financeiros. Ao exibir uma troca de e-mails realizada em janeiro deste ano, Fióti alega que teria R$ 2 milhões de lucro para retirar em nome de ambos. Um extrato bancário foi adicionado aos autos para mostrar que Fióti encaminhou metade desse valor para Emicida.
“A acusação de que Evandro teria ‘esvaziado’ contas da empresa é completamente infundada. As planilhas financeiras que ora se anexam demonstram que Leandro, na condição de artista e sócio, foi beneficiário de valores significativamente superiores aos recebidos por Evandro”, diz o texto do advogado de Fióti.
O caso segue em análise pela Justiça, e não há decisão definitiva até o momento. Se o tribunal decidir pela dissolução da sociedade, a divisão de bens e lucros poderá ser reavaliada, impactando o futuro da empresa. O processo também pode abrir precedentes sobre governança de empresas familiares no setor musical.